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Após passar das 70 mortes, secretário prevê 15 dias terríveis em MS
Apenas em junho, o Estado somou 52 mortes por covid-19 durante a pandemia; Campo Grande, Dourados e Corumbá estão "no vermelho"
28 JUN 2020
Correio do Estado
14h00


Secretário faz apelo também para secretários municipais
Imagem: Divulgação
Dias terríveis. Essa é a previsão do secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, para as próximas duas semanas em Mato Grosso do Sul quanto à situação da covid-19 no Estado. A fala foi feita durante live diária, no Facebook, com o boletim em que os números da doença são apresentados. Hoje (28), foi registrada a 75ª.

"Chegamos ao período de inverno. Tinha dito que a partir da 21ª haveria aumento  da covid-19 e isso se concretizou. Assustador. Agora estamos na 26ª semana e nos próximos 15 dias, no meu modo de entender, serão os dias mais terríveis da doença em Mato Grosso do Sul", frisa Geraldo, que prossegue em apelo aos sul-mato-grossenses.

"Espero que vocês [população] possam colaborar para que a gente não entre em colapso na saúde pública. Não só Dourados me preocupa, que é nossa dor de cabeça hoje, mas a aqui na Capital também, em Corumbá que também há um crescimento muito grande. Das quatro macrorregiões, essas três estão em sinalo vermelho", revela.

Os números divulgados nesse domingo mostram que, além das 72 mortes, o total de pessoas com diagnóstico positivo para o novo coronavírus chegou a marca de 7.527 confirmados - um aumento de 3%, com 220 novos casos, de ontem para hoje.

Contudo, o secretário admite que o número é maior devido a subnotificação - que no caso seriam de pessoas assintomáticas, mas capazes de transmitir, que acabaram não fazendo os testes e não sendo diagnosticadas, ficando fora das estatísticas.

"Estamos aumentando os testes, abrimos o serviço de drive-in, mas estamos percebendo que em alguns lugares os municípios reduziram a testagem e estão encaminhando para o drive-in. Já estamos no nosso limite e essa responsabilidade também deve ser dos municípios, é uma tarefa deles", destacam em puxão de orelha nos executivos municipais.
Parte externa do Hospital de Campanha da covid-19, montado no pátio do Hospital Regional - Valdenir Rezende/Arquivo/Correio do Estado
Represamento
Além disso, o total de casos confirmados tende a aumentar ainda mais durante a semana, tanto pelo avanço da doença, como também pelo represamento de análises laboratoriais e de dados com as secretariais municipais de saúde.

Atualmente, há 2.081 parados para análise no Lacen, o que representa 4,9% dos casos já confirmados - mas deve-se levar em conta que cerca de 70% dos casos são descartados como covid-19, em média. Já os casos sem encerramento nos municípios e que, por isso, não são computados nos boletins, representam 4,3% do total (1.827).

Dos 220 novos casos do boletim de hoje, 79 são de Campo Grande, 57 de Dourados, 19 de Corumbá e 11 de Rio Brilhante. Já quanto ao total de óbitos, 35 deles aconteceu em Dourados, cidade que é o epicentro da doença no Estado.  

A Capital aparece em segundo, com nove mortes, seguida por Três Lagoas (7), Corumbá (7), e Ponta Porã (4). Dos 7.527 casos confirmados de novo coronavírus já registrados, 3.529 ainda estão na fase ativa do vírus, enquanto 3.926 já se recuperaram.

Ocupação de leitos
Conforme os dados do boletim, pacientes com covid-19 ocupam 88 leitos clínicos em MS, sendo 59 deles na rede pública e 28 na particular. Já os leitos de UTI são oculpados por 86 pessoas, sendo 52 na rede pública e 33 na particular.

A taxa global - ou seja, envolvendo todas as doenças em UTI, não apenas a covid-19 - de ocupação hospitalar em Campo Grande neste domingo está na casa dos 69%, enquanto Dourados fica com 60%, Três Lagoas com 51% e Corumbá com 60%. Segundo Geraldo, a média estadual é de 40%, mas há municípios em que está acima dos 70%.